Coluna do Gerson Nogueira – 02.11.14

2 de novembro de 2014 at 11:43 am Deixe um comentário

No reino do faz-de-conta

Chega por e-mail a notícia alvissareira de que a CBF firmou convênio com uma consultoria para garantir a seus funcionários e aos atletas da Seleção Brasileira (de todos os níveis) o aprimoramento no idioma inglês. Providência das mais úteis nestes tempos de globalização no

A entidade, sem preocupações com a pindaíba financeira, pretende estender os benefícios dessa capacitação aos jogadores dos 40 clubes das Séries A e B e a todos os árbitros da Comissão de Arbitragem.

Essa providência chega logo depois da determinação do técnico holandês Louis Van Gaal baixou no Manchester United, exigindo que os brasileiros e demais estrangeiros do elenco se aperfeiçoem no idioma de Shakespeare.

Embora seja uma providência de natureza até primária, a CBF está soltando foguetes e batendo bumbo sobre a iniciativa. Tenta a todo custo inserir o curso de inglês no contexto de um “tal processo de modernização” do futebol brasileiro, termo pomposo demais para a indigência reinante.

Segundo o release da CBF, “a concessão da licença para estudar Inglês é mais uma iniciativa positiva da administração do presidente José Maria Marin, que manifestou a sua satisfação em proporcionar à família CBF e aos nossos jogadores um benefício fundamental para a sua formação”. Então, tá.

Tudo seria divino e maravilhoso se a preocupação com a fluência na língua da Rainha chegasse junto com um cuidado maior com a aplicação das robustas receitas que a entidade arrecada em cima de numerosos patrocínios.

Pelo muito que embolsa mensalmente, em torno de R$ 30 milhões (só com patrocínios), a CBF tinha a obrigação de implantar uma linha de gestão mais austera e consequente, preocupando-se mais com os clubes filiados e com a formação técnica dos atletas das mais diversas divisões.

Por enquanto, prevalece a prática deletéria de valorizar as federações, como instituído ainda nos tempos da velha CBD do regime militar e que foi comandada com mãos de ferro por João Havelange. A herança maldita se perpetuou e faz da CBF a entidade de natureza privada mais rica do país e, ao mesmo tempo, mais inútil em relação às suas finalidades institucionais.

Os clubes, por temor ou conveniência, não conseguem se erguer contra o poder ditatorial da confederação, que além de mandar e desmandar no futebol profissional ainda se dá ao luxo de controlar as instâncias da Justiça Desportiva no país.

O surgimento no começo do ano do movimento Bom Senso, representando os interesses dos jogadores profissionais, deu a ligeira ilusão de que algo podia mudar. No entanto, depois da mobilização inicial, o grupo perdeu força, não conseguindo impor suas posições no projeto de reformulação do esporte no Brasil.

Muito do enfraquecimento dos boleiros deve-se à natureza feudal do futebol, que sempre reproduziu a velha relação casa grande & senzala reinante na política e na sociedade brasileiras.

Líderes de forte apelo popular, como Romário, Bebeto e Danrlei, consagrados no pleito deste ano, tangenciam os verdadeiros problemas do nosso futebol, evitando avançar sobre a CBF. Por isso, não causa surpresa a sem-cerimônia com que a provecta entidade elege um reles curso de idioma como grande realização de final de temporada.

Sobre escolhas erradas e irreversíveis

Eu estava lá, na Arena Maracanã, ao lado de Guilherme Guerreiro e Carlos Castilho quando a Fifa anunciou pomposamente o nome de Lionel Messi como o craque da Copa. Como quase todos ali e no mundo inteiro a nossa reação foi de surpresa com a escolha.

Não há dúvida que Messi é craque, mas é certo também que não jogou na plenitude no mundial. Correu, se esforçou muito, fez gols importantes. Faltou, porém, a velha chama. Dentro do próprio elenco da Argentina vice-campeã mundial ele foi ofuscado pela melhor condição de Dí Maria.

A ausência do meia foi fundamental para a fragilização da Argentina na partida final. Messi, ao contrário, esteve em campo e teve participação discreta. Ainda foi responsável pelo desperdício de chance preciosa, que podia ter mudado a história da Copa.

Três meses depois daquela noite, o presidente Joseph Blatter deu entrevista esclarecendo que não votou e que foi contra a eleição de Messi. Considerou, como a maciça maioria dos torcedores, que houve injustiça. O prêmio ficaria melhor com Arjen Robben, Tony Kroos ou mesmo James Rodriguez.

Apesar do arrependimento tardio de Blatter, a Fifa pelo menos começa a reconhecer seus equívocos. Não dá para desfazer o erro, mas é uma postura mais racional do que aquela que avalizou a premiação do instável Oliver Kahn no mundial de 2002, quando Rivaldo havia sido o indiscutível craque da Copa.

Aos velhos e jovens leoninos

Recomendo a jovens e velhos remistas a leitura do artigo de Ronaldo Passarinho, publicado nesta edição do Bola. Grande benemérito e infatigável baluarte das causas azulinas, Ronaldo é uma voz lúcida e respeitada, tendo muito a dizer sobre a realidade e o futuro do clube de Antonio Baena.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda o programa, que terá a participação de Valmir Rodrigues, Rui Guimarães e deste escriba de Baião. Em pauta, a primeira partida da semifinal da Série C entre Papão x Mogi. Começa por volta de 00h15, logo depois do Pânico na Band.

Entry filed under: Uncategorized.

Coluna do Gerson Nogueira – 01.11.14 A Bola no Bola – Giuseppe Tommaso – 02.11.14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Clube no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: