Coluna do Gerson Nogueira – 24.08.15

24 de agosto de 2015 at 1:28 pm Deixe um comentário

Brilha a estrela do Papão

Depois de sua fulgurante passagem pelos gramados da Maravilhosa, Pikachu faz por merecer a divertida homenagem que lhe fez Dinho Menezes, repórter da Rádio Clube, chamando-o de “menino do Rio” depois da partida contra o Fluminense na quinta-feira. Ontem, na manhã de sol a pino, a estrela do ala do Papão brilhou mais do que a do Botafogo em pleno estádio Nilton Santos.

Desempenhos em alto nível num espaço de apenas quatro dias. Não há mais dúvida – se é que houve algum dia – das qualidades de Pikachu, a justificar o declarado interesse de vários grandes clubes brasileiros e a atenção da comissão técnica da Seleção Brasileira. Ontem, se a Estrela Solitária esperava brilhar, acabou tendo que assistir a brilhante atuação do jovem lateral paraense.

O giro que o Papão fez pelo Rio de Janeiro, teve saldo extremamente positivo. É verdade que perdeu na Copa do Brasil, mas com gol marcado na casa do adversário. Estreou com o pé direito no returno da Série B, encostando novamente no G4. E, de quebra, aproveitou para se mostrar ao país como o time vencedor e aguerrido, reacendendo o prestígio conquistado na Libertadores 2003.

Acima de todos, porém, pairou a figura de Pikachu. Em grande fase técnica, exibiu aos cariocas e ao país a capacidade de finalização que nenhum lateral direito da Seleção Brasileira tem. Atuou contra equipes de nível razoável e levou a melhor sobre seus sistemas de defesa, marcando gols importantes nos dois confrontos.

Contra o Flu marcou cobrando falta, uma de suas especialidades. Ontem, diante do Botafogo, exibiu a conhecida velocidade nos últimos 20 metros e a pontaria mortal. Ao receber o passe dentro da pequena área, esperou a saída de Jefferson e meteu rasteiro no canto esquerdo da meta alvinegra. Proezas de quem realmente sabe jogar.

Ocorre que o Papão não foi apenas Pikachu no Niltão. Foi um time bem armado e ciente de seus limites. Aceitou a pressão inicial do Botafogo, que marcava a saída de Fahel e Jonathan, atrapalhando a chegada do Papão ao ataque. Por cerca de 20 minutos os donos da casa cercaram a área e tiveram pelo menos duas chances, uma delas terminou nas mãos de Emerson e outra passou rente à trave.

Curiosamente, na parada técnica o jogo começou a mudar. O Papão voltou mais aceso e determinado, com Valdívia se movimentando mais e Pikachu aparecendo nas ações ofensivas. Aos 26 minutos, o ala recebeu dentro da área, limpou a jogada e disparou, rasteiro, para o barbante, vencendo ao goleiro Jefferson, que não conseguiu abafar o chute.

O apagão botafoguense se completaria um minuto depois. Em novo cochilo dos zagueiros, foi a vez de Tiago Martins definir, após receber livre pelo lado direito do ataque. Bateu forte e cruzado para estufar as redes.

Até sofrer os gols o Botafogo tinha se apresentado bem, atacando mais e retendo a posse da bola, embora sem competência para marcar. Com 2 a 0 no placar, o Papão passou a dar as cartas, controlando bem a movimentação no meio-de-campo e explorando os contra-ataques em cima do desespero dos botafoguenses.

Depois do intervalo, Neilton e Daniel Carvalho criaram várias situações de perigo, mas o Papão também dava suas estocadas, principalmente com Aylon, que se deslocava muito e confundia os marcadores. Aos 18 minutos, Daniel Carvalho descontou depois de troca de passes que mobilizou todos os atacantes alvinegros.

A torcida que enchia as arquibancadas do Niltão não teve nem tempo de festejar. Contra-ataque mortal iniciado por Valdívia e finalizado magistralmente por Jonathan resultou no terceiro gol bicolor, aos 20. A reação fulminante conteve o ímpeto do Botafogo em momento crucial do jogo. A partir daí, já com Dão em campo e Carlinhos no meio, o Papão se dedicou a defender a vantagem, recuando e correndo muitos riscos.

O Botafogo aumentou o cerco e sufocou nos minutos finais, aproveitando o espaço existente na intermediária do Papão. Chegou ao segundo gol com Sassá, aos 36, mas não teve força para ameaçar mais porque Ricardo Gomes prestou um serviço a Dado Cavalcanti tirando seu melhor atacante, Neilton, e deixando o apagado Luís Henrique em campo.

Papão mereceu a vitória porque soube neutralizar a armadilha inicial do Botafogo e teve aplicação e frieza, mostrando objetividade para aproveitar todas as chances que teve na partida.

Triunfo teve cinco grandes destaques

Pelo lado do Papão, atuação quase impecável de Pikachu, que provou mais uma vez sua utilidade como falso atacante e categoria nos momentos decisivos. Destacaram-se também os zagueiros Tiago Martins e Pablo, o meio-campista Jonathan, que marcou seu primeiro gol pelo Papão, e o goleiro Emerson, responsável por três difíceis defesas.

Leão vence, mas permite sufoco no final

A vitória foi importante, deixando o Remo quase classificado no grupo A1 da Série D, mas o comportamento da equipe voltou a ser claudicante. Marcou logo no começo, em disparo caprichado de Edcléber no ângulo. O Nacional pouco incomodava e permitia chances seguidas.

No etapa final, o gol de Sílvio logo aos 7 minutos após grande arrancada serviu para tranquilizar o time, que ainda assim continuava a errando muito. O Naça se defendia, distribuindo chutões a torto e a direito. Aos 28, Henrique marcou o terceiro gol e tudo parecia sacramentado. Só que não.

Felipe aproveitou bobeira geral da zaga e diminuiu aos 31 minutos. O próprio Felipe foi expulso logo a seguir, mas o Remo entrou em parafuso nos minutos finais, abrindo espaço para que o Naça buscasse a reação.

Aos 43, Junior Paraíba fez o segundo se valendo de uma bobeira do volante Felipe Macena. E o que era para ser um jogo tranquilo terminou em drama na Arena Verde.

Os mesmos erros mostrados contra o Náutico-RR apareceram em vários momentos da partida, principalmente pelo desequilíbrio no meio-de-campo, onde Eduardo Ramos não atuou bem.

A entrada dos garotos Edcléber e Sílvio contribuiu para dar mais vivacidade ofensiva ao time, mas Cacaio errou feio ao optar novamente pela cautela exagerada. Botar Felipe Macena em campo quando o Remo tinha chances de disparar uma goleada foi um equívoco quase fatal.

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