Coluna do Gerson Nogueira – 28.05.14

28 de maio de 2014 at 3:43 pm Deixe um comentário

A overdose de clássicos

Paissandu e Remo realizam hoje à noite mais um da infindável série de clássicos desta temporada. Será o décimo, contando com os dois da Copa Verde. Mais Re-Pa do que o interesse (e o bolso) do torcedor pode suportar. Por sorte, este é pra valer, afinal pode decidir o título da temporada. Mas não anula o falto de que presenciamos uma quantidade exagerada de confrontos.

Costumo dizer que a fórmula desenhada pelos dirigentes vai, irracionalmente, matar a galinha dos ovos de ouro a tiros de canhão. Só os muito ingênuos e os coniventes não enxergam o mal que a overdose de clássicos faz ao campeonato e, principalmente, aos dois grandes clubes.

A fonte está secando, e os números do borderô acusam isso. Na quinta-feira passada, por ocasião do primeiro jogo da decisão do returno, as bilheterias do estádio Jornalista Edgar Proença registraram pouco mais de 6 mil pagantes, um dos menores públicos de Re-Pa nos últimos 20 anos.

Sem dúvida, um número ridículo para a grandeza da rivalidade e inteiramente normal para a repetição excessiva de jogos entre os dois clubes. Sob a desculpa de que o clássico virou a salvação da lavoura do Parazão cheio de jogos deficitários e clubes sem torcida, os dirigentes abusam do remédio.

Pelo que se observa, nem passa pela cabeça dos idealizadores da fórmula de disputa que seria bem mais atraente realizar dois clássicos por turno, mais um (se necessário) para decidir o título. A ansiedade e a expectativa acumulada gerariam o clima necessário para que o torcedor lotasse as arquibancadas.

Atualmente, com ingressos inflacionados pelos programas de sócio-torcedor e um Re-Pa a cada 15 dias, fica difícil competir com o conforto do lar ou a tranquilidade do bar mais próximo. Sem esquecer que as transmissões ao vivo também forjam um novo cliente, cada dia mais comodista e distante dos estádios.

Óbvio que não se pode atribuir apenas à TV o esvaziamento do clássico. Ela é a parte mais visível de um balaio de sérios problemas – horário/dia inadequado, transporte caótico, insegurança nas ruas etc. No ritmo de hoje, com gestores preocupados apenas com as arrecadações sem se incomodar com o futuro próximo, o Re-Pa corre o sério risco de ingressar na alentada lista de tradições paraenses que se desmancharam no ar ao longo do tempo, como o carnaval de rua e as quadrilhas juninas.

Ainda há tempo de mudar o rumo da prosa.

Estilos e expectativas diferentes

O jogo de hoje é, em tese, mais propício para o estilo do Paissandu, que se fecha e explora as saídas em contra-ataque. Foi assim que Mazola Júnior conseguiu as duas vitórias sobre o rival nesta temporada.

Ocorre que o futebol tem o péssimo hábito de contrariar as teorias e aí pode residir a chance de o Remo reverter um quadro que lhe é desfavorável.

Como aconteceu na semifinal do returno, diante do Independente, Roberto Fernandes deve escalar um time mais ofensivo do que normalmente utiliza. Além de Leandro Cearense e Roni, Potiguar e Eduardo Ramos jogarão em cima da defesa do Papão, contando com o auxílio dos laterais Levy e Alex Ruan.

É um esquema ousado, sujeito a muitos riscos, mas atacar é o único caminho que resta a quem precisa vencer.

No Papão, cujo esquema cauteloso não impede o funcionamento da artilharia (a segunda do país na temporada), a melhor notícia é a anunciada volta de Vânderson, Bruninho e Zé Antonio. Com eles, Mazola refaz o equilíbrio da meia-cancha e fecha ainda mais sua linha de defesa.

Comendo sardinha e arrotando caviar

O atacante Barcos, que carregou a fama de mercenário ao trocar o Palmeiras pelo Grêmio, conta em entrevista à ESPN que saiu do clube paulista porque estava há quatro meses sem receber salários. A afirmação do artilheiro argentino deixou sem palavras a sempre altiva imprensa esportiva paulista, mas a situação é bem mais comum do que se pensa na vida dos grandes clubes.

Acima de tudo, expõe a má gestão do futebol brasileiro, cujos dirigentes normalmente fingem uma bonança que não existe.

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