Coluna do Gerson Nogueira – 29.09.14

29 de setembro de 2014 at 12:34 pm Deixe um comentário

De como entregar o ouro em casa

O Remo perdeu para ele mesmo. Com perdão do velho clichê boleiro, o fato é indesmentível: o time azulino deu dois presentes ao ataque do Brasiliense, que a rigor teve apenas três chances no jogo, mas foi objetivo e aproveitou duas que lhe foram gentilmente oferecidas. O comportamento errático da zaga paraense foi decisivo para o resultado final, fato agravado pelo desperdício de chances pelos atacantes – cinco, pelo menos.

Depois de um começo meio confuso, provocado pelo nervosismo e a afobação dos atacantes remistas, a partida ficou muito presa à batalha no meio de campo, onde o Brasiliense postava até cinco jogadores para conter as iniciativas do Remo. O expediente funcionou porque a escalação remista contemplava apenas três homens no setor – os volantes Dadá e Michel e o meia-armador Danilo Rios.

O problema é que, além do bloqueio forte que o visitante armou, o camisa 10 do Remo não conseguia criar nada. Ao contrário, errava passes seguidos, que proporcionavam contra-ataques, sobrecarregando a defesa. Apesar disso, foi remista a primeira grande oportunidade, com Levy, que disparou um chute rente ao travessão. Logo em seguida, Danilo desperdiçou um bom momento, errando arremate junto à pequena área.

Quando a partida ainda estava no terreno da cautela e dos estudos, eis que surgiu a primeira bobeira. Em escanteio cobrado por Zé Roberto pela esquerda, a bola foi desviada de cabeça no canto da trave. O goleiro Fabiano fez excelente defesa, mas espalmou para frente. Felipe, livre, tocou para as redes. Pode-se atribuir falha do goleiro ao não segurar a bola, mas o pecado maior foi de cobertura. Obrigatoriamente, em lance de escanteio, alguém deveria estar vigiando aquele lado da área.

O Remo ainda tentou se organizar, a fim de buscar o empate, mas esbarrava na lentidão e na inoperância de Danilo. Quando passou a utilizar as laterais, a bola começou a chegar até a área do Brasiliense. Como em lance puxado por Leandro Cearense e finalizado por Roni, em disparo forte, à direita da trave.

Como não conseguia entrar na área, o Remo permitia que a marcação abafasse as tentativas de cruzamento. Apesar disso, detinha mais posse de bola. Mas o que está ruim sempre pode ficar pior. Aos 30 minutos, em outra jogada aérea, a zaga se atrapalhou no rebote, Max teve a chance de afastar a bola, mas demorou e perdeu na entrada da área. Claudecir tocou de calcanhar e Rodrigo bateu firme, sem defesa, ampliando o prejuízo azulino.

Daquele momento em diante, até os acréscimos, o Brasiliense se encolheu e o Remo ficou fustigando. Primeiro com Michel, que bateu da intermediária e quase acertou a gaveta. Em seguida, em cruzamento de Val Barreto, Leandro perdeu chance incrível, errando o chute junto à linha do gol. Roni ainda encaixou um voleio, que foi rechaçado pelos zagueiros.

Para o segundo tempo, Ratinho substituiu Danilo. O Remo ganhou em movimentação e toque de bola no meio, fazendo com que Levy tivesse mais espaços pela direita. E foi através dele, em cruzamento perfeito, que Val Barreto diminuiu aos 22 minutos, em cabeceio fulminante.

A fim de aumentar a agressividade, Fernandes tirou Cearense e Roni e botou Potiguar e Marcinho. O segundo até foi bem, invadindo a área seguidas vezes em tentativas individuais, mas Potiguar limitou-se a conduzir a bola, sem maior aproveitamento.

Ainda assim, Levy desfrutou de duas chances claras, Ratinho acertou um chute alto que quase enganou o goleiro e Marcinho podia ter empatado aos 39. Foi agarrado por um beque quando armava o chute. O árbitro pernambucano estava a cerca de cinco metros e mandou o jogo seguir – já havia ignorado um lance de bola na mão, alegando que o zagueiro não tivera intenção faltosa.

Para quem veio a Belém buscar um ponto, o Brasiliense saiu com um lucro fabuloso, encaminhando a classificação. Ao Remo, depois de mais uma atuação desastrosa de seus zagueiros, resta apostar na superação para reverter a diferença em Brasília. Precisará vencer por dois gols de diferença ou a partir de 3 a 2. Difícil, mas não impossível.

Além da queda, o coice

Com grande público presente ao estádio Jornalista Edgar Proença, oficialmente 18.864 pagantes (renda de R$ 522.232,00), os riscos de novos incidentes eram imensos. O Remo se cercou de cuidados, contratando até segurança particular e proibindo a presença de sua facção organizada mais violenta. Não foi suficiente.

Ao final da partida, quando o trio de arbitragem deixava o campo, uma garrafa de plástico foi atirada em direção ao apitador. De imediato, os seguranças identificaram o autor do arremesso e conduziram à delegacia mais próxima, mas a possibilidade de nova punição volta a assombrar o clube, que já foi denunciado durante a semana pelos violentos incidentes no estádio Diogão, em Bragança.

Caso seja punido no primeiro julgamento, o Remo compromete sua caminhada (se houver) na Série D e até a participação em torneios no ano que vem. A bola de neve se estabelece: com jogos fora de Belém, as arrecadações caem e o time sofre no aspecto técnico. A receita cai e a crise financeira se agrava.

Já escrevi várias vezes sobre isso. Assiste-se a uma ação orquestrada para sabotar os dois grandes clubes de Belém – fato parecido ocorreu na reabertura da Curuzu. Em atos isolados, mas passíveis de punição nos tribunais, os inimigos do futebol inviabilizam aos poucos a vida financeira dos clubes, que dependem quase que inteiramente das rendas dos jogos.

Já passou a hora de medidas mais drásticas, que devem ser tomadas em conjunto pelos principais interessados. É como a história da saúva. Ou eles acabam com os vândalos ou os vândalos provocam a falência de ambos.

Desafio do Papão é se manter vivo na disputa

O Papão entra em campo hoje à noite para conservar vivas as chances de classificação à próxima fase da Série C. Independentemente das dificuldades na tabela, o time tem a obrigação de passar pelo Treze-PB, que briga para não ser rebaixado. Os resultados de sábado e domingo tornaram ainda mais remotas as possibilidades para o Papão, pois o Salgueiro se classificou e o ASA ficou a um ponto de se garantir.

Ocorre que, seja no futebol ou na vida, a esperança deve ser mantida até o fim. É o que o torcedor bicolor espera de seu time, depois do tropeço diante do Cuiabá na rodada passada. A volta de Héverton e Augusto Recife serve para alimentar o otimismo quanto a uma recuperação do time.

Mas, além desses reforços, a equipe tem que funcionar bem em outros setores, explorar melhor o potencial de Pikachu e pelo menos ser mais vibrante diante de seu torcedor.

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